Divulgando a programação do Encontro do dia 22 de Maio no Casarão de Japuíba:
terça-feira, 19 de maio de 2015
Programação do Encontro de História: Trocas Historiográficas em História Regional (Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Nova Friburgo e Petrópolis)
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Encontro de História - Trocas Historiográficas em História Regional (Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Nova Friburgo e Petrópolis)
No dia 22 de Maio ocorrerá o Encontro de História Regional no Casarão de Japuíba. A programação completa ainda será divulgada, mas antecipamos que o Professor Gilciano Menezes Costa apresentará a pesquisa intitulada "A escravidão em torno da Construção da Estrada de Ferro Cantagalo nos trilhos de Itaboraí/RJ (1856-1875)" e o Professor Luiz Maurício de Abreu Arruda apresentará sua pesquisa denominada de "Para trás leprosos..." Embates contra a instalação da Colônia de Iguá em Itaboraí/RJ (1935-1938). Inscrição para ouvintes e outras informações enviar email para: culturamacacurj@gmail.com
domingo, 12 de abril de 2015
João Augusto de Andrade, herói ou vilão?
* Luiz
Maurício de Abreu Arruda
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| Fonte: Jornal O São Gonçalo, 21/09/1947 |
João Augusto de Andrade
foi além de advogado, jornalista e político de destaque em Itaboraí.
Pertencente à corrente política liderada por seu cunhado Antônio F. da S. Leal
Júnior e sua irmã Margarida de Andrade Leal, ocupou o cargo de prefeito por
duas vezes durante as décadas de 1940 e 1950, momento esse em que a legenda PSD
dominou o cenário político fluminense a partir do capital político de Ernâni do
Amaral Peixoto, genro de Getúlio Vargas. [1]
Durante o período do
regime do Estado Novo (1937-1945), os prefeitos eram nomeados pelo Interventor
estadual. Foi neste período que João Augusto de Andrade ganhou força no cenário
político de Itaboraí, sendo nomeado prefeito em 1943. Após o fim do Estado
Novo, os partidos novamente se organizaram nas esferas: municipal, estadual e
federal. Novas eleições foram convocadas e os principais atores que estavam
acomodados no poder, durante o regime varguista, rapidamente procuraram se
articular a fim de buscar se perpetuar no poder através das urnas. Em Itaboraí
não poderia ser diferente, pois não foi à toa que João Augusto de Andrade se candidata
a prefeito pelo PSD e vence as eleições de 1947. [2]
O domínio político do PSD
em Itaboraí durante essas duas décadas (1940-1950) foi expressivo, tendo inicialmente
a liderança de Antônio Francisco da Silva Leal, que já havia sido deputado
estadual nas décadas de 1920 e 1930 representando Itaboraí. Essa influência foi
herdada por seu filho, o advogado Antônio Francisco da Silva Leal Júnior.
Importantes melhorias na
infraestrutura do município ocorreram durante o governo de João Augusto de
Andrade, que esteve no executivo municipal por quase dois mandatos consecutivos.
Exemplos destas mudanças são: a Instalação da “luz e força” (energia elétrica)
em 1949 e o calçamento da cidade de Itaboraí iniciado em 1948, onde na ocasião foram
colocados boa parte dos tradicionais paralelepípedos. [3]
Durante o primeiro governo
de Roberto Pereira dos Santos (1951-1955), a família Andrade Leal fundou o
Jornal Tribuna de Itaboraí (1955), no
qual João Augusto de Andrade foi o redator-chefe. O surgimento deste Jornal buscou
defender os interesses deste grupo político, que após grave crise partidária
local (PSD), teve a saída de nomes importantes como o do próprio Prefeito
Roberto Pereira dos Santos e do jornalista Odyr de Barros, diretor chefe do
Jornal Folha de Itaboraí. [4]
Na memória coletiva de
antigos moradores de Itaboraí, associa-se a imagem de João Augusto de Andrade a
uma possível “queima de arquivos históricos” da cidade, algo extremamente
prejudicial para a preservação da memória e história de nosso município. Esse
fato, inclusive justifica em parte a construção de uma imagem negativa ao seu
respeito.
João Augusto de Andrade
ocupou também diversos cargos da administração pública do Estado do Rio de
Janeiro, como o de Procurador da Secretaria de Finanças, cargo que exercia
quando faleceu em 06 de maio de 1970, considerado como suicídio pelas
autoridades policiais de Niterói. [5]
* Professor de História na
rede municipal de Rio Bonito e Mestre em História Política
(UERJ). Autor da obra "A nova Jericó Maldita”. Um estudo sobre a Colônia do
Iguá em Itaboraí/RJ (1935-1953).
Fontes e Bibliografia:
[1] SOARES, Emmanuel de Macedo. História
Política do Estado Rio de Janeiro (1889-1975). Niterói: Imprensa Oficial,
1987 e PANTOJA, Silvia Regina Serra de Castro. As raízes do pessedismo
fluminense. A política do interventor: 1937-1945. Rio de Janeiro: CPDoc,
1992.
[2] Jornal O São Gonçalo, Ano XVI, Nº7945, 13 de fevereiro de 1946.
[3] Apesar de a instalação do novo
sistema de abastecimento de água (1953) ter ocorrido no governo de Roberto
Pereira dos Santos, é importante destacar as várias iniciativas realizadas por
João Augusto de Andrade para solução desse problema que representou durante um
longo período, uma grave questão enfrentada pela população de Itaboraí. ARRUDA,
Luiz Maurício de Abreu. “A nova Jericó
Maldita”. Um estudo sobre a Colônia do Iguá em Itaboraí/RJ (1935-1953).
Dissertação de Mestrado em História Política, Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.
[4] Jornal Folha de Itaboraí ( 1953-1957) e Jornal Tribuna de Itaboraí ( 1955-1957).
[5] Jornal O Itaborahyense. Nº 2190, Ano 76, 07 de maio de 1970 e Jornal Diário de Notícias. Nº14584, 07 de maio
de 1970.
sábado, 4 de abril de 2015
“A NOVA JERICÓ MALDITA”: EMBATES E LUTAS CONTRA A INSTALAÇÃO DA COLÔNIA DO IGUÁ, EM ITABORAÍ/RJ (1935-1938)
Artigo apresentado no VII Simpósio Nacional de História Cultural
História cultural: escritas, circulação, leituras e recepções
Universidade de São Paulo – USP
10 e 14 de Novembro de 2014
* Luiz Maurício de Abreu Arruda
* Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor da rede municipal de Rio Bonito.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
ANÁLISE DO PLANO DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO: PARA QUE E A QUEM SERVE O PLANO DIRETOR DE ITABORAÍ?
Monografia
apresentada, em 2013, por Ítalo Malta de Abreu Ramos ao Departamento de
Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), como requisito
parcial à obtenção do título de Licenciatura Plena em Geografia.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Entre lutas e embates: a instalação da “força e luz” em Itaboraí
* Luiz
Maurício de Abreu Arruda
![]() |
| Fonte: Câmara Legislativa Municipal |
A
imagem representa a placa comemorativa da inauguração do serviço de “luz e
força” (energia elétrica) em Itaboraí, localizada na Câmara Legislativa Municipal.
O
município de Itaboraí só pôde contar com fornecimento de “luz e força” em 1949.
Antes desse período, a cidade possuía apenas uma pequena usina que supria
precariamente o serviço de iluminação pública. Apesar das queixas, a Prefeitura
se eximia, alegando que o investimento para solucionar a questão era muito alto
e extrapolava os limites arrecadados pelas rendas municipais. Eram frequentes
as quedas de energia, como o episódio ocorrido em 1939, quando a usina elétrica
entrou em colapso, ficando desativada por vários meses.[1]
Não
obstante os esforços da administração municipal, que em 18 de abril de 1940, abriu
um crédito municipal de 50:000$000 (cinquenta contos de réis), destinado à
compra de novo maquinário para reforma do serviço de iluminação pública do
Centro da Cidade, continuava-se a manter uma estrutura precária que atendia uma
pequena parcela da população do município.[2]
O
prefeito buscava resolver o impasse, marcando audiências com o Interventor
Federal Ernani do Amaral Peixoto, a fim de resolver o problema, pois a carência
de energia elétrica era considerada um dos entraves para o “progresso” do
município. Em uma dessas reuniões ocorridas em janeiro de 1940, o Prefeito de
Itaboraí, Vicente Pereira da Fonseca, esteve no Palácio do Ingá para pedir a
solução da questão, quando recebeu a promessa de que seu pedido seria atendido.
Entretanto, apesar da euforia local, em nada resultou esse alarde, pois até o
fim do período do Estado Novo em 1945, enquanto Amaral Peixoto esteve à frente
da Interventoria do Estado do Rio de Janeiro, o fornecimento de energia
elétrica para o município não havia sido resolvido. [3]
O
imbróglio só foi solucionado a partir do decreto lei nº 21.935 de 12 de outubro de 1946, assinado pelo Presidente da
República, Eurico Gaspar Dutra, que autorizava “(...) estender energia elétrica
ao Leprosário de Iguá e à cidade de Itaboraí”. [4]
Somente
depois de três anos deste decreto, Itaboraí pode contar com uma infraestrutura
elétrica a partir da construção de uma subestação de energia no 3º Distrito de
Itambi, que recebeu os cabos da Cia Brasileira Energia Elétrica, alimentando em
seguida as principais localidades do município. A subestação contava com um
conjunto de transformadores, possibilitando inicialmente uma capacidade de 44000
volts, com 1500 hp de potência.[5]
Cerca de 20 dias antes da inauguração, o
Prefeito João Augusto de Andrade mandou instalar autofalantes, a fim de
informar e convidar a população para a grande festa que aconteceria. Muitos
políticos locais ligados à situação buscaram se apropriar do momento, revelando
suas “intensas participações” diante dessa conquista. Em 25 de maio de 1949,
sob grandes festividades e com a presença de vários políticos locais; além do
Governador Edmundo de Macedo Soares e Silva, foi ligada a chave que iluminou o
centro administrativo e político de Itaboraí, localizado na Praça Marechal
Floriano Peixoto.[6]
Em
27 de agosto de 1949, foi a vez do bairro de Venda das Pedras, onde fica
localizada a Colônia Tavares de Macedo. Após discursos inflamados do Prefeito
João Augusto de Andrade e os Deputados Estaduais Leal Júnior e Saramago
Pinheiro, mediante grande festividade patrocinada pela prefeitura e pela Firma
José Maria Nanci, comemorou-se o estabelecimento de “luz e força” na
localidade. [7]
O fornecimento de energia
elétrica foi conquistado após uma série de reclamações por parte da população e
constantes articulações políticas. Alguns atores deste processo se mobilizaram
para a solução desta questão, que transformou radicalmente o cotidiano do
município. Entre esses atores, julgo relevante destacar a participação direta
do Dr. Arnaldo Zéo, um dos diretores que esteve à frente da Colônia Tavares
de Macedo, que participou ativamente na luta pela instalação da energia
elétrica, como noticiado pelo Jornal a “Folha de Itaboraí”:
“No momento em que esta
cidade presta especiais homenagens aos homens que se destacaram na luta pela
instalação do serviço de luz e força de Itaboraí, a figura simpática do Dr.
Arnaldo Zéu não poderia ser esquecida. (...) Tomou parte constante nos planos elaborados
e desta forma soube unir seus esforços ao Governo Municipal, para a solução do
grave problema, que não era só da Colônia que dirigia, mais sobretudo do município de Itaboraí.”[8]
Lideranças políticas de agremiações
partidárias opostas, como os Deputados Leal Júnior e Ewaldo Saramago Pinheiro
também contribuíram para a solução. Entretanto, foi somente através da parceria
de Instituições ligadas ao poder público e privado, como: Prefeitura Municipal,
Colônia Tavares de Macedo, Agro Mercantil Mani Ltda e a Comissão E. Álcool de
Mandioca[9],
que a população pode contar com os benefícios gerados pelo fornecimento de energia
elétrica.
* Luiz Maurício de Abreu Arruda é mestrando em História Política pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Professor de História.
Fontes e Bibliografia:
[1] Jornal O São Gonçalo, Ano IX, nº 452, 16 de julho de 1939.
[2] Leis nº3 de 18 de abril e nº9 de 9 de outubro de 1940, Annaes da Câmara Municipal de Itaboraí.
[3] Jornal O São Gonçalo, Ano X, nº 480, 28 de janeiro de 1940.
[4] Coleção de leis da Câmara dos Deputados. http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1940-1949/decreto-21935-9-outubro-1946-341833-publicacaooriginal-1-pe.html. (Acessado em 20/01/2015)
[5] Jornal Folha de Itaboraí, Ano I, nº2, 30/12/1948;
[6] O São Gonçalo, Ano XIX, nº969, 22/05/1949; Annaes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro de 1937, Niteroi: Officinas graphicas do "Diário Official".1937. pp.125.
[7] Jornal Folha de Itaboraí, Ano II, nº62, 01/09/1949.
[8]Idem, Ano II, nº49, 04/06/1949.
[9] Maiores informações verificar o texto: "A Usina de Álcool de Mandioca em Porto das Caixas, Itaboraí".http://historiadeitaborai.blogspot.com.br/2014/09/a-usina-de-alcool-de-mandioca-em-porto.html
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